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Células sadias da mama produzem uma proteína - a interleucina 25 (IL-25) - que envenena células cancerosas na vizinhança. Pesquisadores já sintetizam a substância em laboratório e apostam na sua viabilidade como uma futura terapia contra cerca de 20% dos tumores de mama.

Baixa toxicidade e alta eficácia constituem as principais vantagens da IL-25 sobre a maioria dos tratamentos disponíveis. Como a substância faz parte do arsenal inato do organismo para detectar e destruir células defeituosas, sua ação é muito seletiva: não causa danos às células sadias e devasta o tumor.

Todos os dias, o corpo humano gera cerca de mil células anormais que podem se transformar em câncer. Graças ao sistema imunológico inato, a imensa maioria é erradicada antes de causar qualquer problema.

A IL-25 pertence a esse sistema. Em 20% dos tumores de mama, as células cancerosas absorvem grande quantidade de IL-25 produzido por células sadias. A proteína intoxica o tumor.

Os pesquisadores criaram um meio de cultura tridimensional in vitro com células normais e cancerosas. Estudaram as trocas de mensagens químicas entre elas. Identificaram cinco fatores relacionados à destruição de tumores. O IL-25 mostrou-se o assassino mais eficiente.

"Já transferimos a tecnologia para uma empresa que realizará o desenvolvimento do produto. Os testes em humanos devem levar, no mínimo, dois anos para começar", afirma Irene Kuhn, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos. Irene participou do estudo, divulgado na última edição da revista Science Translational Medicine.

No Brasil, o coordenador do setor de mastologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e do Hospital das Clínicas (HC), José Roberto Filassi afirma que “desconhecia a aplicação clínica da proteína IL-25no câncer de mama.”

Para o médico, a novidade indica “mais um possível caminho para o tratamento”. Filassi, contudo, diz que ainda não é possível falar em cura. “Fico com a dúvida de como a IL-25 irá alcançar o ‘alvo’, as células cancerosas?”, pondera.

Para José Bines, oncologista do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a aplicação da proteína no tratamento do câncer de mama ainda é uma possibilidade distante. “Mas a atividade anti-tumoral da IL-25 demonstrada na pesquisa tem, sim, potencial. Poderá ajudar a compreender o efeito da célula tumorosa nos tecidos não malignos que estão em volta dela”, explica. Entender o mecanismo, determinaria a maneira como os tumores se desenvolvem, completa ele.


Fonte: estadao.com.br

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